A semana que passou poderia ser uma semana absolutamente desastrosa para o governo mas uma muito bem programada estratégia de comunicação minimizou os danos. Segunda-feira os números do Banco de Portugal destruiam o anunciado sucesso económico do governo. Terça-feira, dia da discussão destes dados negativos, o governo anuncia que o tratado de Lisboa será ratificado por via parlamentar fazendo a comunicação social esquecer o menos bom desempenho económico...
Em minha opinião o não convocar um referendo para ratificar o tratado de Lisboa é grave para o governo na medida em que significa mais uma quebra de promessas eleitorais e por razões que são tudo menos nobres: os sábios políticos europeus não confiam no voto do povo europeu num assunto tão delicado e complexo. Será este comportamento ainda digno de uma democracia? De uma democracia grega talvez!
Quinta-feira, quando começava a discussão deste ponto surge outra grande e importante notícia para o país: o novo aeroporto de Lisboa será em Alcochete, seguindo as indicações do estudo do LNEC e eliminando-se, uma vez mais, a discussão de um assunto incómodo.
É certo que esta é mais uma mudança que requer muito jogo de cintura mas há sempre o argumento, mais ou menos válido, de que a mudança resultou de uma melhor ponderação dos critérios, indo de encontro a uma melhor solução para o país. E, em termos de danos no governo, há apenas um ministro que sai muito mal na fotografia...
Enfim, de 3 assuntos delicados apenas num se deixou espaço para a crítica ao governo, gerindo-se habilidosamente a agenda política. Fica pelo menos aqui o meu registo dos acontecimentos para mais tarde recordar!