quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Nacional 2

Etapa 6 – Ferreira do Alentejo - Faro - 142 km

A saída de Ferreira do Alentejo foi por volta das 8h, com um nevoeiro matinal fresquinho. Como o alojamento não tinha pequeno almoço, parei no primeiro café aberto para comer qualquer coisa. À saída de Ferreira do Alentejo, tal como à chegada, a N2, que aqui se chama R2, está muito mal. Parece que a estrada não é única no país, varia de dono de distrito para distrito!

O início da etapa é muito rolante. Verdadeira planície alentejana, passando-se por Aljustrel e Castro Verde. Aljustrel é terra de mineiros e, graças às minas de Neves-Corvo, a vila possui uma dimensão apreciável. Continuei a pedalar até Castro Verde, onde fiz a primeira pausa para reforço alimentar. Em Castro Verde cruzei-me com uns motards de Mafra que já me vinham a acompanhar há um par de dias. Curiosamente cheguei exatamente ao mesmo tempo que eles a Sagres. 

Após esta pequena pausa segui decidido até Almodôvar, sempre pelo meio da típica paisagem Alentejana, embora a ondulação do terreno começasse a aumentar.

Após Almodôvar inicia-se a serra algarvia, o que torna a subida ainda mais complicada. Ele sobe e desce constantemente. Decidi parar a meio da Serra, para almoçar, o que aconteceu em Ameixial. Um barzinho com uma pequena represa, fantásticos. Senti-me tentado a dar um mergulho, mas fiquei preocupado com as consequências de pedalar com os calções molhados. 

Após o almoço, continuação da subida da serra até ao ponto mais alto da serra do caldeirão, à cota 569 m. Apesar do cansaço, as vistas do topo e a paisagem da serra algarvia merecem uns minutos de paragem 

Desde o topo, até Alportel, o percurso é tendencialmente a descer, mas num constante desce e sobe. Após São Brás de Alportel, aí sim, a sensação de que o objetivo está completo aparece! São 16 km sempre a descer ou com pequenos planos.

A chegada a Faro é feita com muito trânsito e a N2 termina numa rotunda ainda com mais trânsito. É difícil atravessar a rotunda para a foto da praxe, e os automobilistas não facilitam. No meio de tanta rotunda autárquica, talvez a mítica N2 merecesse algo mais nobre no seu fim!


Amanhã farei um balanço do percurso, e da beleza contrastante do nosso Portugal. Mas neste período de eleições autárquicas incomoda a poluição visual de tanto cartaz espalhado pelo país. E além das caras, que diferem, a mensagem é igual em todo o país: força, confiança, mudança, o futuro começa hoje, fazer melhor… Para um observador de fora, mais racional, isto só afasta as pessoas da política!

O desafio valeu a pena e julgo que o repetirei. Mas não o voltarei a fazer sozinho. Concretizada a parte N2, amanhã pedalarei até Sagres, que é a nossa Finisterra!

Distância percorrida – 142 km

Acumulado de Subidas – 1319 m

Tempo a pedalar – 7h19m


Nacional 2

Etapa 5 – Montargil – Ferreira do Alentejo - 131 km

A saída de Montargil teve o tónico da vista do nascer do Sol sob a barragem, o que me obrigou, ao fim de 2 km, a parar para a primeira foto do dia. 


A seguir a Montargil o percurso foi rolante, no meio da típica paisagem alentejana. Retas intermináveis, no meio de campos de cereais, plantações de oliveiras, e a estrada sempre rodeada por sobreiros ou pinheiros. A cada nova reta a paisagem é igual, mas igualmente deslumbrante, e por isso nunca cansa de admirar.



Ao chegar a Montemor-o-Novo fui ultrapassado por uma ciclista. Vinha bastante mais leve do que eu, mas também andava mais do que eu. Como estava cheio de andar sozinho, forcei um pouco o ritmo e meti conversa. Pedalamos juntos até ao Escoural e com uma outra companhia: chuva de trovoada intensa. Por essa razão nem paramos em Montemor, apenas no Escoural, já com o sol a brilhar. Almoçamos juntos de faca e garfo, num café simpático na beira da estrada. No meu caso javali assado no Forno.


Após o almoço arranquei sozinho, já que a minha nova companheira dizia que tinha de descansar meia horita a seguir ao almoço. A próximas paragem foi em Alcáçovas, terra que me obrigou a fazer um desvio para passar no centro, por curiosidade histórica. Uma vez, ao pesquisar informação sobre a casa da minha avó, que era brasonada, li que tinha tido uma ligação aos condes de Alcáçovas. Não fazia a mínima ideia onde ficava tal terra! Passei a saber agora, com uma visita rápida ao centro. 


Continuei então o meu ritmo de pedalada mas voltei a ser apanhado pela Maria Areias a 13 km de Ferreira do Alentejo. Mais uma vez forcei o ritmo e, mais uma vez, apanhamos uma molha, desta vez mais leve. Chegados a Ferreira bebemos os dois uma preta e fizemos um brinde.

Cheguei mesmo bastante cansado. Acompanhar uma triatleta com menos 15 kg na bicicleta não foi fácil! Felizmente o alojamento, desta vez, tinha piscina e terminei o dia com um belo mergulho na piscina.    

Distância percorrida – 137 km

Acumulado de Subidas – 1270 m

Tempo a pedalar – 6hh55m