terça-feira, 31 de agosto de 2021

 Nacional 2

Etapa 4 – Pedrógão Grande – Montargil – 131 km

A saída de Pedrógão grande foi um bocadinho mais tarde, para aproveitar 5 minutos de conversa com dois automobilistas, do Porto, o Vítor e a Cristina, que andavam há 3 dias a cruzar-se comigo.

Atravessa-se o Rio Cabril na barragem com o mesmo nome e a vistas são magníficas, quer as da albufeira quer as do fio de água, a jusante. 


Até à Sertã não acontece nada de muito relevante, embora sejam muitos os troços onde o sobreiro começa a ladear a estrada. Na Sertã, pausa para um café. Apesar do rio e de um parque engraçado, a cidade claramente precisava de mais qualidade arquitetónica dos edifícios.

Após a Sertã, até Abrantes, a N2 foi requalificada sendo uma via semi-rápida. Nada interessante, a não ser pelas vistas, mas sem qualquer ligação às terras. 

O primeiro filme de animação que vi com o meu filho mais velho foi o Cars. Perdido em Radiator Springs, o Faísca McQueen aprende a gostar daquela terra perdida e esquecida. As estradas eram feitas para se chegar, não para se passar.

Antes de chegar a Vila de Rei fiz um desvio até ao centro geodésico de Portugal. 700 m de desvio com uma subida de 100 m, mas vale realmente a pena pelas vistas.

Sendo Vila de Rei o centro de Portugal, perto desta localidade encontrei o meio da estrada.


A grandes dificuldades da etapa estavam ultrapassadas e o almoço foi em Abrantes, mais uma vez num café à beira da N2. A primeira pergunta que me fizeram foi se eu queria o carimbo. Respondi que estava a fazer a N2 mas não ligava muito a isso. No entanto, no final, lá pedi um passaporte e coloquei o respetivo carimbo. É o único!

De Abrantes até Montargil o percurso é muito rolante, apesar do calor e, hoje, do vento sul, que parece que cansa mais do que algumas montanhas. Mas a vista da albufeira de Montargil deu o empurrão que faltava, embora Montargil seja num alto.

Cheguei mesmo muito cansado, muito graças ao vento contra.

Distância percorrida – 131 km

Acumulado de subidas – 1352 m

Tempo a pedalar – 6h54m

 

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Nacional 2

Etapa 3 - Viseu - Pedrógrão Grande - 144 km

Aparentemente hoje esperava-me a pior etapa, quer em distância quer em acumulado de subidas. Por isso saí cedo, para aproveitar o fresco da manhã, da cidade de Viriato.

Os primerios quilómetros após Viseu tinham muito trânsito e eram, basicamente, ao longo do IP3, que se sobrepôs a N2 em muito do seu percurso. Por essa razão, cerca de 10 km após Viseu, decidi seguir à ecovia do Dão, até Santa Comba Dão. Para quem vai de bicicleta parece-me uma ótima alternativa: muito rolante, bom piso, no meio de carvalhos e estações abandonadas e, a maior parte do tempo, com vista sobre o Rio Dão.
Foram cerca de 30 km a rolar rápido, tendo saído ligeiramente à frente de Santa Comba Dão, onde fiz a primeira paragem para abastecer, num supermercado à beira da estrada.
O troço seguinte é aquele em que se tem que ir muitas vezes ao IP3, o que não é agradável para as bicicletas. Também não deve ter sido muito agradável para os dois compinchas alentejanos, em duas motorizadas, mas com uma carga que parecia adornar a qualquer momento. Chegaremos ambos a Faro na 5ªfeira, pelo que comentei que mais valia vir de bicicleta.
A chegada a Penacova faz-se ao longo do Mondego ou seus afluentes. Mas há um monumento geológico que vale a pena parar e visitar: a livraria do Mondego. Considerando a minha costela geotécnica, não resisti a sentar-me 10 minutos apenas a admirar a obra. E, apesar da beleza do sítio, não encontrei vivalma, pelo que pude escutar o silência do rio.
 
Apesar da subida para Vila Nova de Poiares ser dura, decidi ir almoçar a Góis, já quase com 100 km de estrada. Uma paragem um bocadino mais prolongada já que a vista era assustadora. Afinal de contas, a seguir é preciso atravessar o sistema montanhoso Montejunto-Estrela, que divide fisamente o país. Foram portanto 20 km sempre a subir com um acumulado de mais de 600 m. Mas as vistas, apesar do excesso de eucalipto, consolam a alma.

Depois do alto da Serra, 12 km de descida até Álvares, com passagem pelo marco 300. Álvares é uma terra bonita e, não fosse o adiantado da hora, daria um mergulho na praia fluvial.

Até ao final mais 20 km a tentar rolar o mais rápido possível, apesar do cansaço, que já se fazia tarde. Fiquei em Pedrógão Grande, num alojamento local muito confortável.

Distância da etapa - 144 km
Acumulado de subidas - 1663 m
Tempo a pedalar - 8h









domingo, 29 de agosto de 2021

Nacional 2

Etapa 2 - Vila Real - Viseu - 111 km

No dia 2 começou o aumento do tamanho das etapas, e esperavam-me cerca de 110 km de pedalada. A saída de Vila Real foi por volta das 8h30m, tendo parado no centro para a foto da praxe.
A descida de Vila Real começou e a atravessar o Rio Corgo tive que parar um momento para apreciar o Marão. De imediato me recordei do "reino marvilhoso", de Miguel Torga.

"Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. (…) 
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada: 
- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!"...


A descida até à Regua foi rápida, mas há uns topos pelo meio. O mais violento vem depois da régua com uma subida contínua de mais de 20 km, e cerca de 900 m de subida direta. 
Antes de Lamego passei pelo km 100 da N2, e tive a sensação que esta minha aventura deixou de ser uma ideia e passou a ser um projeto em construção.

Em Lamego houve a necessária paragem para reabastecimento. As festas de Nossa Senhora dos Remédios estavam a decorrer e quase pareciam festas em tempos de normalidade.

Entretanto, após Lamego, apesar das indicações férteis no percurso, tinham desaparecido os marcos hectométricos. Passei numa pequena localidade e perguntei se aquela era a N2, o que fiz a uma daquelas personagens típicas das nossas aldeias. A figura merecia uma foto, desde logo pela indumentária: Texanas, chapéu à cowboy, casaco de couro e camisola rosa, de uma corrida do dia da mulher. Perguntou-me se eu ia fazer a estrada toda, o que confirmei, tendo-me informado que esta era a maior estrada do mundo. Eu disse-lhe que não, que pelos menos a route 66, no Estados Unidos, era maior. Perante tal contrariedade ele alertou-me peremptoriamente: "Oh amigo, eu vi ontem no meu face, e esta é maior, tem mais 200 km que a maior estrada a América. O senhor na sabe mais que o face, ou sabe?"
Lá continuei então na maior estrada do mundo, até ao Alto de Bigorne, no meu GPS à altitude de 950 m. É a passagem do Douro vinhateiro para as serranias do centro.

Desde aqui houve uma paragem para almoço, no Mezio, num restaurante à Beira da estrada, muito bom.
A partir daí o percurso foi rolante, até Viseu, com passagem por Castro Daire. Vale a pena parar para apreciar a beleza do Paiva.
É altura para desncansar pois a etapa amanhã é mais longa.

km etapa - 111 km
Acumulado de subidas - 1797 m
Tempo a pedalar - 6h30m 

















sábado, 28 de agosto de 2021

Nacional 2

Chaves - Vila Real - 65 km

Depois de dois adiamentos de férias, por confinamentos obrigatórios, ganhei uma semana de férias sozinho. Decidi fazer a N2 o que, para mim que adoro o conceito de travessias, me enche a alma.
Comecei hoje de Chaves, tendo pedido à Wendy para me levar a Chaves. O primeiro dia foi curto pois decidi fazer uma visita ao meu amigo Nuno Cristelo, em Vila Real. Serviu para aquecer os motores, mas as restantes 5 etapas vão ser mais pesadas.
A saída de Chaves foi às 10h, com direito à foto da praxe.
Nos primeiros 30 km é obrigatória a paragem em duas termas: Vidago e Pedras Salgadas. Vidago foi local de férias em criança, mas o Palace está mais bonito do que nunca.
Já em Pedras salgadas faltou a Água das Pedras. Uma fotografia rápida no Parque e seguir em direcção a Vila Pouca de Aguiar. É maravilhoso o Vale de Vidago.

Parei para comer algo em Vila Pouca de Aguiar e deliciei-me a ouvir as conversas alheias. Duas mesas ao lado ouço um pensador local que explicava porque há tantas más pessoas:
"Tu és o que és, mas as pessoas dizem que tu és má pessoa porque te julgam por aquilo que queriam que tu fosses"

A chegada a Vila Real foi por volta das 15h. Hospedado em casa do meu amigo Nuno Cristelo vai ser rápido o retemperar forças. Falta ainda a foto em Vila Real. Será amanhã!
Hoje foram apenas 67 km, 840 m de acumulado de subidas e um pouco mais de 3h e meia a pedalar.