Nacional 2
Etapa 2 - Vila Real - Viseu - 111 km
No dia 2 começou o aumento do tamanho das etapas, e esperavam-me cerca de 110 km de pedalada. A saída de Vila Real foi por volta das 8h30m, tendo parado no centro para a foto da praxe.
"Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre
houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos
não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o
que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos
mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os
ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos.
(…)
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na
sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo.
Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande
hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:
- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!"...
A descida até à Regua foi rápida, mas há uns topos pelo meio. O mais violento vem depois da régua com uma subida contínua de mais de 20 km, e cerca de 900 m de subida direta.
Antes de Lamego passei pelo km 100 da N2, e tive a sensação que esta minha aventura deixou de ser uma ideia e passou a ser um projeto em construção.
Em Lamego houve a necessária paragem para reabastecimento. As festas de Nossa Senhora dos Remédios estavam a decorrer e quase pareciam festas em tempos de normalidade.
Entretanto, após Lamego, apesar das indicações férteis no percurso, tinham desaparecido os marcos hectométricos. Passei numa pequena localidade e perguntei se aquela era a N2, o que fiz a uma daquelas personagens típicas das nossas aldeias. A figura merecia uma foto, desde logo pela indumentária: Texanas, chapéu à cowboy, casaco de couro e camisola rosa, de uma corrida do dia da mulher. Perguntou-me se eu ia fazer a estrada toda, o que confirmei, tendo-me informado que esta era a maior estrada do mundo. Eu disse-lhe que não, que pelos menos a route 66, no Estados Unidos, era maior. Perante tal contrariedade ele alertou-me peremptoriamente: "Oh amigo, eu vi ontem no meu face, e esta é maior, tem mais 200 km que a maior estrada a América. O senhor na sabe mais que o face, ou sabe?"
Lá continuei então na maior estrada do mundo, até ao Alto de Bigorne, no meu GPS à altitude de 950 m. É a passagem do Douro vinhateiro para as serranias do centro.
Desde aqui houve uma paragem para almoço, no Mezio, num restaurante à Beira da estrada, muito bom.
A partir daí o percurso foi rolante, até Viseu, com passagem por Castro Daire. Vale a pena parar para apreciar a beleza do Paiva.
É altura para desncansar pois a etapa amanhã é mais longa.
km etapa - 111 km
Acumulado de subidas - 1797 m
Tempo a pedalar - 6h30m







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