sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Feliz Natal e, agora sim, um 2022 normal

Ainda não foi desta que nos livramos da pandemia e das suas restrições. Que para o ano, nesta simples mensagem, possa festejar o fim das restrições, a família toda junta, a menos dos que já partiram e tanta falta nos fazem à vida e à alma, sentir o calor de um beijo e de um abraço, até de um aperto de mão, sem medo. Só com a mais pura das alegrias.
Um feliz Natal e um extraordinário 2022.


quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Nacional 2

Etapa 6 – Ferreira do Alentejo - Faro - 142 km

A saída de Ferreira do Alentejo foi por volta das 8h, com um nevoeiro matinal fresquinho. Como o alojamento não tinha pequeno almoço, parei no primeiro café aberto para comer qualquer coisa. À saída de Ferreira do Alentejo, tal como à chegada, a N2, que aqui se chama R2, está muito mal. Parece que a estrada não é única no país, varia de dono de distrito para distrito!

O início da etapa é muito rolante. Verdadeira planície alentejana, passando-se por Aljustrel e Castro Verde. Aljustrel é terra de mineiros e, graças às minas de Neves-Corvo, a vila possui uma dimensão apreciável. Continuei a pedalar até Castro Verde, onde fiz a primeira pausa para reforço alimentar. Em Castro Verde cruzei-me com uns motards de Mafra que já me vinham a acompanhar há um par de dias. Curiosamente cheguei exatamente ao mesmo tempo que eles a Sagres. 

Após esta pequena pausa segui decidido até Almodôvar, sempre pelo meio da típica paisagem Alentejana, embora a ondulação do terreno começasse a aumentar.

Após Almodôvar inicia-se a serra algarvia, o que torna a subida ainda mais complicada. Ele sobe e desce constantemente. Decidi parar a meio da Serra, para almoçar, o que aconteceu em Ameixial. Um barzinho com uma pequena represa, fantásticos. Senti-me tentado a dar um mergulho, mas fiquei preocupado com as consequências de pedalar com os calções molhados. 

Após o almoço, continuação da subida da serra até ao ponto mais alto da serra do caldeirão, à cota 569 m. Apesar do cansaço, as vistas do topo e a paisagem da serra algarvia merecem uns minutos de paragem 

Desde o topo, até Alportel, o percurso é tendencialmente a descer, mas num constante desce e sobe. Após São Brás de Alportel, aí sim, a sensação de que o objetivo está completo aparece! São 16 km sempre a descer ou com pequenos planos.

A chegada a Faro é feita com muito trânsito e a N2 termina numa rotunda ainda com mais trânsito. É difícil atravessar a rotunda para a foto da praxe, e os automobilistas não facilitam. No meio de tanta rotunda autárquica, talvez a mítica N2 merecesse algo mais nobre no seu fim!


Amanhã farei um balanço do percurso, e da beleza contrastante do nosso Portugal. Mas neste período de eleições autárquicas incomoda a poluição visual de tanto cartaz espalhado pelo país. E além das caras, que diferem, a mensagem é igual em todo o país: força, confiança, mudança, o futuro começa hoje, fazer melhor… Para um observador de fora, mais racional, isto só afasta as pessoas da política!

O desafio valeu a pena e julgo que o repetirei. Mas não o voltarei a fazer sozinho. Concretizada a parte N2, amanhã pedalarei até Sagres, que é a nossa Finisterra!

Distância percorrida – 142 km

Acumulado de Subidas – 1319 m

Tempo a pedalar – 7h19m


Nacional 2

Etapa 5 – Montargil – Ferreira do Alentejo - 131 km

A saída de Montargil teve o tónico da vista do nascer do Sol sob a barragem, o que me obrigou, ao fim de 2 km, a parar para a primeira foto do dia. 


A seguir a Montargil o percurso foi rolante, no meio da típica paisagem alentejana. Retas intermináveis, no meio de campos de cereais, plantações de oliveiras, e a estrada sempre rodeada por sobreiros ou pinheiros. A cada nova reta a paisagem é igual, mas igualmente deslumbrante, e por isso nunca cansa de admirar.



Ao chegar a Montemor-o-Novo fui ultrapassado por uma ciclista. Vinha bastante mais leve do que eu, mas também andava mais do que eu. Como estava cheio de andar sozinho, forcei um pouco o ritmo e meti conversa. Pedalamos juntos até ao Escoural e com uma outra companhia: chuva de trovoada intensa. Por essa razão nem paramos em Montemor, apenas no Escoural, já com o sol a brilhar. Almoçamos juntos de faca e garfo, num café simpático na beira da estrada. No meu caso javali assado no Forno.


Após o almoço arranquei sozinho, já que a minha nova companheira dizia que tinha de descansar meia horita a seguir ao almoço. A próximas paragem foi em Alcáçovas, terra que me obrigou a fazer um desvio para passar no centro, por curiosidade histórica. Uma vez, ao pesquisar informação sobre a casa da minha avó, que era brasonada, li que tinha tido uma ligação aos condes de Alcáçovas. Não fazia a mínima ideia onde ficava tal terra! Passei a saber agora, com uma visita rápida ao centro. 


Continuei então o meu ritmo de pedalada mas voltei a ser apanhado pela Maria Areias a 13 km de Ferreira do Alentejo. Mais uma vez forcei o ritmo e, mais uma vez, apanhamos uma molha, desta vez mais leve. Chegados a Ferreira bebemos os dois uma preta e fizemos um brinde.

Cheguei mesmo bastante cansado. Acompanhar uma triatleta com menos 15 kg na bicicleta não foi fácil! Felizmente o alojamento, desta vez, tinha piscina e terminei o dia com um belo mergulho na piscina.    

Distância percorrida – 137 km

Acumulado de Subidas – 1270 m

Tempo a pedalar – 6hh55m

terça-feira, 31 de agosto de 2021

 Nacional 2

Etapa 4 – Pedrógão Grande – Montargil – 131 km

A saída de Pedrógão grande foi um bocadinho mais tarde, para aproveitar 5 minutos de conversa com dois automobilistas, do Porto, o Vítor e a Cristina, que andavam há 3 dias a cruzar-se comigo.

Atravessa-se o Rio Cabril na barragem com o mesmo nome e a vistas são magníficas, quer as da albufeira quer as do fio de água, a jusante. 


Até à Sertã não acontece nada de muito relevante, embora sejam muitos os troços onde o sobreiro começa a ladear a estrada. Na Sertã, pausa para um café. Apesar do rio e de um parque engraçado, a cidade claramente precisava de mais qualidade arquitetónica dos edifícios.

Após a Sertã, até Abrantes, a N2 foi requalificada sendo uma via semi-rápida. Nada interessante, a não ser pelas vistas, mas sem qualquer ligação às terras. 

O primeiro filme de animação que vi com o meu filho mais velho foi o Cars. Perdido em Radiator Springs, o Faísca McQueen aprende a gostar daquela terra perdida e esquecida. As estradas eram feitas para se chegar, não para se passar.

Antes de chegar a Vila de Rei fiz um desvio até ao centro geodésico de Portugal. 700 m de desvio com uma subida de 100 m, mas vale realmente a pena pelas vistas.

Sendo Vila de Rei o centro de Portugal, perto desta localidade encontrei o meio da estrada.


A grandes dificuldades da etapa estavam ultrapassadas e o almoço foi em Abrantes, mais uma vez num café à beira da N2. A primeira pergunta que me fizeram foi se eu queria o carimbo. Respondi que estava a fazer a N2 mas não ligava muito a isso. No entanto, no final, lá pedi um passaporte e coloquei o respetivo carimbo. É o único!

De Abrantes até Montargil o percurso é muito rolante, apesar do calor e, hoje, do vento sul, que parece que cansa mais do que algumas montanhas. Mas a vista da albufeira de Montargil deu o empurrão que faltava, embora Montargil seja num alto.

Cheguei mesmo muito cansado, muito graças ao vento contra.

Distância percorrida – 131 km

Acumulado de subidas – 1352 m

Tempo a pedalar – 6h54m

 

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Nacional 2

Etapa 3 - Viseu - Pedrógrão Grande - 144 km

Aparentemente hoje esperava-me a pior etapa, quer em distância quer em acumulado de subidas. Por isso saí cedo, para aproveitar o fresco da manhã, da cidade de Viriato.

Os primerios quilómetros após Viseu tinham muito trânsito e eram, basicamente, ao longo do IP3, que se sobrepôs a N2 em muito do seu percurso. Por essa razão, cerca de 10 km após Viseu, decidi seguir à ecovia do Dão, até Santa Comba Dão. Para quem vai de bicicleta parece-me uma ótima alternativa: muito rolante, bom piso, no meio de carvalhos e estações abandonadas e, a maior parte do tempo, com vista sobre o Rio Dão.
Foram cerca de 30 km a rolar rápido, tendo saído ligeiramente à frente de Santa Comba Dão, onde fiz a primeira paragem para abastecer, num supermercado à beira da estrada.
O troço seguinte é aquele em que se tem que ir muitas vezes ao IP3, o que não é agradável para as bicicletas. Também não deve ter sido muito agradável para os dois compinchas alentejanos, em duas motorizadas, mas com uma carga que parecia adornar a qualquer momento. Chegaremos ambos a Faro na 5ªfeira, pelo que comentei que mais valia vir de bicicleta.
A chegada a Penacova faz-se ao longo do Mondego ou seus afluentes. Mas há um monumento geológico que vale a pena parar e visitar: a livraria do Mondego. Considerando a minha costela geotécnica, não resisti a sentar-me 10 minutos apenas a admirar a obra. E, apesar da beleza do sítio, não encontrei vivalma, pelo que pude escutar o silência do rio.
 
Apesar da subida para Vila Nova de Poiares ser dura, decidi ir almoçar a Góis, já quase com 100 km de estrada. Uma paragem um bocadino mais prolongada já que a vista era assustadora. Afinal de contas, a seguir é preciso atravessar o sistema montanhoso Montejunto-Estrela, que divide fisamente o país. Foram portanto 20 km sempre a subir com um acumulado de mais de 600 m. Mas as vistas, apesar do excesso de eucalipto, consolam a alma.

Depois do alto da Serra, 12 km de descida até Álvares, com passagem pelo marco 300. Álvares é uma terra bonita e, não fosse o adiantado da hora, daria um mergulho na praia fluvial.

Até ao final mais 20 km a tentar rolar o mais rápido possível, apesar do cansaço, que já se fazia tarde. Fiquei em Pedrógão Grande, num alojamento local muito confortável.

Distância da etapa - 144 km
Acumulado de subidas - 1663 m
Tempo a pedalar - 8h









domingo, 29 de agosto de 2021

Nacional 2

Etapa 2 - Vila Real - Viseu - 111 km

No dia 2 começou o aumento do tamanho das etapas, e esperavam-me cerca de 110 km de pedalada. A saída de Vila Real foi por volta das 8h30m, tendo parado no centro para a foto da praxe.
A descida de Vila Real começou e a atravessar o Rio Corgo tive que parar um momento para apreciar o Marão. De imediato me recordei do "reino marvilhoso", de Miguel Torga.

"Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. (…) 
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada: 
- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!"...


A descida até à Regua foi rápida, mas há uns topos pelo meio. O mais violento vem depois da régua com uma subida contínua de mais de 20 km, e cerca de 900 m de subida direta. 
Antes de Lamego passei pelo km 100 da N2, e tive a sensação que esta minha aventura deixou de ser uma ideia e passou a ser um projeto em construção.

Em Lamego houve a necessária paragem para reabastecimento. As festas de Nossa Senhora dos Remédios estavam a decorrer e quase pareciam festas em tempos de normalidade.

Entretanto, após Lamego, apesar das indicações férteis no percurso, tinham desaparecido os marcos hectométricos. Passei numa pequena localidade e perguntei se aquela era a N2, o que fiz a uma daquelas personagens típicas das nossas aldeias. A figura merecia uma foto, desde logo pela indumentária: Texanas, chapéu à cowboy, casaco de couro e camisola rosa, de uma corrida do dia da mulher. Perguntou-me se eu ia fazer a estrada toda, o que confirmei, tendo-me informado que esta era a maior estrada do mundo. Eu disse-lhe que não, que pelos menos a route 66, no Estados Unidos, era maior. Perante tal contrariedade ele alertou-me peremptoriamente: "Oh amigo, eu vi ontem no meu face, e esta é maior, tem mais 200 km que a maior estrada a América. O senhor na sabe mais que o face, ou sabe?"
Lá continuei então na maior estrada do mundo, até ao Alto de Bigorne, no meu GPS à altitude de 950 m. É a passagem do Douro vinhateiro para as serranias do centro.

Desde aqui houve uma paragem para almoço, no Mezio, num restaurante à Beira da estrada, muito bom.
A partir daí o percurso foi rolante, até Viseu, com passagem por Castro Daire. Vale a pena parar para apreciar a beleza do Paiva.
É altura para desncansar pois a etapa amanhã é mais longa.

km etapa - 111 km
Acumulado de subidas - 1797 m
Tempo a pedalar - 6h30m 

















sábado, 28 de agosto de 2021

Nacional 2

Chaves - Vila Real - 65 km

Depois de dois adiamentos de férias, por confinamentos obrigatórios, ganhei uma semana de férias sozinho. Decidi fazer a N2 o que, para mim que adoro o conceito de travessias, me enche a alma.
Comecei hoje de Chaves, tendo pedido à Wendy para me levar a Chaves. O primeiro dia foi curto pois decidi fazer uma visita ao meu amigo Nuno Cristelo, em Vila Real. Serviu para aquecer os motores, mas as restantes 5 etapas vão ser mais pesadas.
A saída de Chaves foi às 10h, com direito à foto da praxe.
Nos primeiros 30 km é obrigatória a paragem em duas termas: Vidago e Pedras Salgadas. Vidago foi local de férias em criança, mas o Palace está mais bonito do que nunca.
Já em Pedras salgadas faltou a Água das Pedras. Uma fotografia rápida no Parque e seguir em direcção a Vila Pouca de Aguiar. É maravilhoso o Vale de Vidago.

Parei para comer algo em Vila Pouca de Aguiar e deliciei-me a ouvir as conversas alheias. Duas mesas ao lado ouço um pensador local que explicava porque há tantas más pessoas:
"Tu és o que és, mas as pessoas dizem que tu és má pessoa porque te julgam por aquilo que queriam que tu fosses"

A chegada a Vila Real foi por volta das 15h. Hospedado em casa do meu amigo Nuno Cristelo vai ser rápido o retemperar forças. Falta ainda a foto em Vila Real. Será amanhã!
Hoje foram apenas 67 km, 840 m de acumulado de subidas e um pouco mais de 3h e meia a pedalar.









domingo, 7 de fevereiro de 2021

Está em curso um inquérito aos doutorados deste país. Não há ainda resultados, mas julgo que à pergunta “Como classificaria a forma como as autoridades e formuladores de políticas do país têm usado o aconselhamento científico?” a classificação será um claro Muito Mal. Basta passar em qualquer espaço público e ver o ridículo dos bancos cheios de fitas, como se o vírus tivesse uma qualquer paixão pelos bancos. 


Por sorte ou sabedoria, respondemos bem numa primeira fase da pandemia. Conseguimos não colher qualquer ensinamento desse milagre, e atacar estas fases com a exclusiva responsabilização do povinho e a obrigatoriedade deste usar máscaras. E as justificações são um atentado à inteligência de qualquer um. Infelizmente também temos os nossos “Trumps” e Bolsonaros. Ao menos este assume que a economia também mata!

As medidas não são pensadas e, por isso, modificadas à primeira crítica. Não há autoridade que resista a tamanhos devaneios. E em tempo de guerra já devíamos ter tido a coragem de encontrar generais firmes, mesmo que não fossem populares.

Ainda hoje fui dar a minha corrida higiénica. Quando o desespero começa a ser tão crítico como a pandemia, imagino como me sentiria se proibissem estas saídas. Mas continuo sem perceber porque não é obrigatório fazê-las sozinho. Como não se proibiu o que constitui perigo, um destes dias proíbe-se tudo!

domingo, 31 de janeiro de 2021

Descrença neste país

Por razões pessoais, tenho um contato próximo com alunos de um colégio internacional, no Porto. Ao chegarem ao 12º ano, os melhores alunos já nem sequer pensam em ir para as universidades portuguesas.

Há duas razões de fundo para esta escolha: a primeira prende-se com o facto de, nem os alunos nem os pais, acreditarem num futuro brilhante para os jovens, neste país à beira mar plantado; a segunda está associada a uma perda de prestígio das universidades portuguesas, ao contrário do que se apregoa nos nossos media.

Um país em que que os seus jovens não veem futuro nele é um país a empobrecer. Foi assim no estado novo, e será assim nos próximos anos, se nada fizermos para o inverter.

O cantar de emigração, do Adriano Correia de Oliveira, é uma canção que tem tanto de beleza como de tristeza. É quase impossível de a ouvir sem ter vontade de chorar!